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Até Veja admite que Dilma foi vítima de conspiração


247 – Por que Dilma Rousseff foi afastada da presidência da República? Oficialmente, porque teria cometido o "crime" das pedaladas fiscais.

Embora poucos levassem a sério essa acusação, a sociedade brasileira foi manipulada durante meses para ser convencida de que a edição de alguns decretos de crédito seriam motivo suficiente para cassar 54 milhões de votos.

Vez por outra, alguém dizia a verdade. "Há interesses de oportunistas que imaginam que derrubar a presidente seja caminho para parar a Lava Jato. Visam se proteger exatamente atacando a presidente, sobre a qual não pesa qualquer acusação", disse o governador Maranhão, Flávio Dino, numa entrevista de 6 de abril (leia aqui). Em março, o jornalista Ricardo Noblat também havia cobrado, num ataque de sincericídio, que políticos corruptos afastassem rapidamente Dilma para, assim, se salvarem (leia aqui).

Ainda não havia, no entanto, a prova material de que tudo não passava de uma conspiração para trocar o governo e, assim, tentar conter os estragos da Lava Jato sobre a classe política. Ela surgiu quando o senador Romero Jucá (PMDB-RR), gravado por Nelson Machado, ex-presidente da Transpetro, falou da necessidade de "parar essa porra" e "estancar essa sangria", numa clara referência à Lava Jato (leia aqui).

Foi tudo tão claro, tão cristalino, que nem Veja conseguiu esconder essa realidade. Em sua edição deste fim de semana, a revista dedica sua capa ao "complô" para conter a Lava Jato e aponta que Dilma foi vítima de uma conspiração. "As gravações de Romero Jucá – e de Renan Calheiros e José Sarney – não são má notícia para Temer apenas porque perdeu um ministro importante. São má notícia porque sugerem que sua ascensão ao Palácio do Planalto decorreu de uma conspiração para parar a Lava-Jato. Jucá falou disso com clareza", diz reportagem da edição deste fim de semana da revista.

Para a publicação, Dilma tentou, mas não conseguiu conter a operação – o que sugere que Temer talvez tivesse força para fazê-lo. O presidente interino foi também cobrado a demitir Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo citado nas investigações, e a se afastar de Eduardo Cunha, como se isso fosse possível.


Confira também, Ciro Gomes explica como funciona a máfia da "grande mídia" brasileira.

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