POR FERNANDO BRITO - Cometi um erro aqui, domingo, ao dizer que, em razão do brutal massacre da discoteca em Orlando, durante algum tempo os energúmenos que defendem a venda indiscriminada de armas, inclusive as automáticas com que aquele infeliz matou tanta gente, ficariam quietos por um tempo.
Não, parece não haver mais limites para a estupidez dos grupos suspeitos que se articulam, sob a proteção da mídia, para destruir a convivência civilizada no Brasil.
Kim Kataguiri, a quem a Folha de S. Paulo empresta as páginas para que diga barbaridades, afirma hoje que o episódio está sendo usado para fazer proselitismo contra o porte de armas, veja, por ninguém menos que o “bolivariano” Barack Obama.
“O discurso do presidente americano faz parecer que quem é contra sua proposta de proibir armas é um monstro que defende que as pessoas tenham o direito de matar umas às outras em “escolas, cinemas e clubes noturnos”. Afinal, “não fazer nada” é “uma decisão”, e, para Obama, essa decisão é o mesmo que defender assassinos.”
Será que o raciocínio doentio de Kataguiri, se todos os 300 presentes à boite estivessem também portando um AR-15 o desastre teria sido menor?
Mais esperto que todo o FBI, que ainda investiga o caso, “Quinzinho” já tem certeza de que foi o Exército Islâmico o responsável pelo massacre, embora os agentes federais americanos duvidem disso e que, agora, tenha sido revelado que o próprio assassino frequentava a boate.
Critica Obama por dizer que “o massacre nos lembra como é fácil pôr as mãos numa arma que permite a eles atirar em pessoas em escolas, cinemas e clubes noturnos. (…) E nós temos de decidir se esse é o tipo de país em que queremos estar.” Sim esta é a pergunta, porque num país onde 9 milhões de rifles semi-automáticos estão de posse dos cidadãos basta que que um transtornado – pelo radicalismo islâmico ou não, pela homofobia ou não, por um distúrbio psicótico entre numa loja e saia com um fuzil não pode deixar de acontecer, como acontece lá, um massacre atrás do outro.
Kataguiri não é apenas primário na sua argumentação, como ao dizer que a esquerda apóia o Estado Islâmico.
É covarde, ao não explicar porque, tal como Bolsonaro, defende a liberação de armamento pesado ao público e se presta, até, à cena ridícula de posar com uma versão “fake” de um fuzil.
Mas a um pequeno monstro como este nossa mídia ainda promove.
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