Pular para o conteúdo principal

Pedaladas fiscais foram praticadas por 17 governadores.



A prática, que nada tem a ver com corrupção, não pode ser considerada crime, como atestam diversos especialistas. Além do mais, é bastante utilizada por gestores dos mais variados partidos, a exemplo de atual vice de Dilma, Michel Temer, de presidentes anteriores, como Fernando Henrique Cardoso, além de vários governadores. 

“Pedalada fiscal” é o nome dado à prática do Tesouro Nacional de atrasar o repasse de dinheiro para bancos (públicos e privados) financiadores de despesas do governo com benefícios sociais e previdenciários como o Bolsa Família, abono salariais e o seguro-desemprego. Esses atrasos ajudam a fechar as contas de um determinado mês ou até de um ano fiscal, uma vez que jogam a conta para o período seguinte.

De acordo com o jurista Marcelo Neves, professor de Direito Público da Universidade de Brasília (UnB), as chamadas “pedaladas fiscais” não podem justificar denúncia da presidenta por crime de responsabilidade, “tendo em vista que não se trata de atos atentatórios à Constituição Federal, nos termos do caput do art. 86 da Constituição Federal, configurando, no máximo, simples atos ilegais ou inconstitucionais saneáveis mediante controle administrativo, fiscal ou jurisdicional”.

Um dos mais renomados juristas do país, Dalmo Dallari também reage à utilização das pedaladas como argumento para afastar Dilma Rousseff. “As pedaladas não caracterizam o crime de responsabilidade fiscal porque não houve qualquer prejuízo para o erário. As pedaladas configuram um artifício contábil, mas o dinheiro não sai dos cofres públicos, então não ficam caracterizados os crimes de apropriação indébita ou desvio de recursos”, diz.

De acordo com um levantamento publicado no site Muda Mais Congresso, recentemente 17 governadores praticaram, em diferentes medidas, operações semelhantes às tais pedaladas, como forma de melhorar suas contas. Resta saber se a oposição pretende também cobrar afastamento ou punição – alguns não estão mais no cargo – para todos eles.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em 84, Brizola já alertava sobre ilegitimidade de governo sem voto

Recolho da página Face da Legalidade , que o encontrou num vídeo do Instituto Vladimir Herzog , o trecho de uma fala de Leonel Brizola no comício das Diretas, em 1984, na Praça da Sé, que parece ter sido dita pensando nos dias de hoje. Mas é um conceito permanente, porque não há governar de outra forma um país como o nosso: “Governo neste país só será estável, só poderá existir mesmo, é com o voto do povo brasileiro”. Confira vídeo abaixo:

Esquema de Aécio no setor elétrico de MG está vivo e em plena atividade

Por Joaquim de Carvalho - O procurador-geral da República Rodrigo Janot disse em despacho tornado público na quarta, dia 14, que “setores do Ministério de Minas e Energia” e a Eletrobras “se mostraram, até aqui, os que tiveram maior atuação da organização criminosa”. A Polícia Civil do Rio de Janeiro e São Paulo fez uma grande operação em busca de provas de corrupção em Furnas, mas ainda não se tem notícia de que essa força tarefa chegou a Minas Gerais, onde está vivo e em plena atividade um dos tentáculos desse esquema. Dimas Toledo, que fez fortuna dirigindo a estatal, é sócio da Tabocas Participações e Empreendimentos S.A., conforme se pode verificar no site da Receita Federal. A Tabocas foi criada em 1999, no mesmo ano em que Djalma de Morais assumiu a presidência da Cemig, cargo que manteve durante todo o governo de Aécio Neves e de Antônio Anastasia. Quando saiu da Cemig, Djalma de Morais assumiu da Tabocas, uma das empresas contratadas pela própria ...

Estão fazendo com Lula o mesmo que fizeram com Getúlio Vargas

Em começos de agosto de 1954, o chefe da guarda pessoal de Getúlio, Gregorio Fortunato, foi preso por ter comandado um atentado contra Lacerda. Getúlio de nada sabia. Foi sendo cercado por um grupo de extremistas da FAB, que falou em convocar o próprio presidente e o acuou a ponto de as próprias Forças Armadas, por seus ministros, o traírem. (Na célebre reunião ministerial, em que o jovem Tancredo Neves, ministro da Justiça, pediu a Vargas que o autorizasse a dar voz de prisão ao ministro da Guerra e a organizar a resistência). O cerco a Lula lembra muito isso. Um apartamento de classe média no Guarujá, um sítio decorado com hábitos modestos vão cercando o ex-presidente. Que ele poderia e deveria depor, OK. Mas condução coercitiva, nunca. Que se negociasse seu depoimento, com absoluto respeito ao cargo que ocupou. Porque ao desrespeitá-lo, estão sendo desrespeitados os brasileiros que o conduziram à presidência e também os que o apoiam. O que é visível é que as cartas ...