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Serra aparelha Itamaraty; deputada tucana indica para cargo concursado


Revista Fórum - Sabe aquele papo dos tucanos de São Paulo, de que o PSDB é um partido mais “técnico” e “moderno”, enquanto o PT “aparelha” tudo?

Pois é… Quem tem dois neurônios e jamais foi atingido por bolinhas de papel na cabeça, sabe que isso é papo furado. Mas a presença de Serra no Itamaraty ajuda a entender um pouco melhor como funciona o partido de Paulo Preto e Sergio Mota.

Prestem atenção nesse ofício, que circula pelas redes do Ministério de Relações Internacionais.


A deputada Geovânia de Sá (PSDB-SC), que assina o ofício, é conhecida por defender “valores cristãos” (clique aqui para saber mais). A parlamentar defende, por exemplo, que “pela Bíblia somente um homem e uma mulher podem constituir família”.


No dia da infame votação do impeachment de Dilma, a sorridente Geovânia votou assim:
“Pela honra da minha família e pela minha cidade Criciúma, por Santa Catarina e pela libertação do povo brasileiro, digo sim”.

Mauricio Studt é o rapaz que ela gostaria de instalar num “cabidão” no Itamaraty.

A nobre parlamentar talvez desconheça que a leitura da Bíblia não lhe dá o direito de nomear funcionários para uma carreira que exige concurso público.

Mas o fato é que a tucana ficou à vontade pra mandar a José Serra o ofício – que causou enorme revolta entre os quadros do Itamaraty.

“Isso é só uma ilustração de como o discurso tucano de aparelhamento é hipócrita”, disse um diplomata ouvido por nossa reportagem.

O mesmo diplomata revela que Serra vem acumulando muita oposição interna no Ministério, pelo estilo truculento de suas ações. Os funcionários dizem que o novo ministro usa a imprensa pra mandar recados. Um exemplo é a recente nota publicada no Estadão – diário conservador paulista, que apóia o governo interino:

“José Serra decidiu manter os quadros do governo petista no Itamaraty. A execeção serão os que usarem cargo para militância política. Esses serão substituídos e já estão sendo identificados” – publicou o diário paulistano.

“Essa nota gerou revolta nos quadros de carreira minimamente lúcidos e progressistas. Talvez não sejam maioria, mas não são poucos”, disse um diplomata sob condição de anonimato.

Há alguns dias, o chanceler interino José Serra mandou um diplomata brasileiro usar uma cerimônia na OIT (Organização Internacional do Trabalho) para defender que o golpe de Temer não foi um golpe. O tal diplomata foi vaiado, e o Brasil saiu um pouco mais desmoralizado do evento.

Conhecido por ligar para redações para pedir cabeça de jornalistas que fazem perguntas desagradáveis, Serra é o homem errado no lugar errado.

Sobre ele, escreveu Gregorio Duvivier: como pode? um sujeito que não tem amigos ser o chefe da diplomacia?

Mas pode. Pode tudo.

Com Temer, pode Serra no Itamaraty, perseguindo inimigos…

E pode a Geovânia tentando nomear um jogador de golfe pra carreira diplomática…

O golpe de Temer e Serra é o golpe dos corruptos. E o golpe da vergonha.

Foto de capa: Geraldo Magela/Agência Senado


Confira também, Entrevista de Ciro Gomes na UFSC:

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